domingo, 13 de outubro de 2019

É possível viajar ganhando pouco? Depende...


             Existem pesquisas que apontam que viajar traz mais felicidade que adquirir coisas ou até mesmo casar. Uma viagem feliz vai gerar uma felicidade que durará para sempre, pois cada vez que a lembrança da viagem é acessada, ela gera prazer. Assim, ver as fotos ou contar detalhes e fatos curiosos sobre uma viagem traz uma sensação de prazer cada vez que o viajante lembra-se dela.
            Um bem material, por outro lado, vai proporcionar prazer no momento da aquisição e, talvez, nos primeiros dias de uso. Depois, deixa de ser novidade e passa a ser só mais uma coisa que você possui.
             As pessoas que eu conheço que dizem não gostar de viajar (e são bem poucas) viajaram muito pouco na vida ou nunca viajaram.
        Quando viajamos, conhecemos outras formas de se viver, outros espaços interessantes, outros sabores, outras paisagens e outras formas de ver o mundo. Algumas paisagens são de tirar o fôlego, outras, nos fazem refletir sobre a nossa condição humana.
            Há viagens que nos transformam por completo. Outras que nos proporcionam tanto prazer que queremos viajar cada vez mais. Por isso, mais e mais pessoas estão viajando e descobrindo a maravilha que é viajar.
            Mas, como viajar tendo uma renda baixa ou mediana? É possível ganhar pouco e viajar para fora do país?
            Sim. Tudo é possível quando possuímos aquelas duas palavrinhas que já usei bastante por aqui e que me norteiam a vida: planejamento e determinação.
            Primeiramente, devo dizer que o Brasil é um país enorme e maravilhoso. Tem paisagens, gastronomia e eventos para todos os gostos e bolsos. Nós temos de tudo um pouco: cerrado, pantanal, praias, montanhas, florestas, cânions... 


            Temos frio e calor. Frutas de tantos tipos, uma culinária riquíssima e culturas que são tão diferentes que causam dificuldade no entendimento quando um morador do norte vai passear ao sul. Do tacacá do Pará ao vatapá da Bahia, temos sabores de deixar qualquer estrangeiro com água na boca. Por isso, antes de planejar sair do Brasil, já conhece os estados brasileiros e o que eles têm a lhe oferecer?
            Se sim, ótimo! Maravilha!
            Mas, se a resposta for não, que tal pegar aquele mapa maravilhoso e escolher um lugar para explorar? Tenho certeza que você vai se surpreender com os resultados.
             Agora, se você já conhece o Brasil o suficiente ou quer mesmo é colocar o pezinho para fora do território verde e amarelo, mas tem pouca grana, pode ser uma boa ideia visitar os países vizinhos.
            Uruguai, por exemplo, é um país organizado, bonito e cheio de delícias como: doce de leite, carnes e queijos. Além disso, sua capital, Montevidéu, é lindíssima e cheia de atrações.
            A Argentina é outro país que merece uma visita, principalmente se você quiser se sentir na Europa. Nesse caso, Buenos Aires é o destino certo para você. A cidade é linda, barata para nós brasileiros e super acessível. É possível combinar passeios a pé e de metrô cobrindo boa parte da cidade e experimentando as delícias típicas da região.



            O Chile e o Peru também estão perto e têm maravilhas como o deserto do Atacama (Chile) ou as ruínas de Machu Pichu (Perú) para serem exploradas. Com planejamento, é possível conhecer mais de um desses países nos chamados “mochilões”.
             Uma viagem internacional precisa de muitos dias, uma vez que se perde muito tempo com deslocamentos. Por isso, é melhor que você faça essa viagem nas suas férias. Se possível, planeje suas férias para meses que não são considerados como alta estação. Fuja de janeiro e julho, pois são meses de muita procura por causa das férias escolares e universitárias. Viajar para fora do país com poucos dias não vale a pena porque fica tudo muito corrido e você sempre acaba deixando de ver alguma coisa e tendo que retornar em outra ocasião. O ideal é que conheça tudo o que quer conhecer e gaste com as próximas férias em outro país. Assim você conhece muito mais lugares.
            Faça um “fundo de férias”. Uma grana que você vai guardar somente para suas férias. Se você só tira férias uma vez por ano, vai ter um ano para guardar a grana.
            Compre as passagens aéreas em épocas de promoção e com antecedência. Se cadastre em sites de alerta que lhe avisam sobre o preço das passagens para o lugar que deseja visitar.
            Pesquise sobre o local que deseja visitar antes de ir e escreva no papel os pontos que quer visitar. Depois, faça um roteiro dia-a-dia com os locais que escolheu. Exemplo: quando visitei Curitiba coloquei no papel a Ópera de Arame, o Museu Oscar Niemayer, o Parque Tanguá, o Jardim Botânico, etc. Depois entrei no Google mapas e pesquisei a localização de cada atração. Sabendo a localização de todos, pude traçar um roteiro eficiente que me permitiu visitar o maior número de atrações gastando menos tempo e dinheiro. Se existiam várias atrações no Centro, eu dedicava um dia só para ir ao Centro e andava a maior parte do tempo a pé.
             Se a cidade tiver metrô, como Buenos Aires e Santiago, por exemplo, aprenda a andar nesses transportes. Em Buenos Aires algumas estações de metrô são decoradas por artistas e são lindíssimas.
            Andar de metrô em outro país é mais fácil do que parece e custa muito menos. Assim sobra dinheiro para comprar coisas que lhe interessam ou para provar um prato diferente. Além disso, quem anda a pé conhece muito mais coisas e descobre lugares que poucos turistas conhecem porque só andam de carro.
            Outra coisa que faço sempre e recomendo é: leve dinheiro a mais e deixe sobrar. Quando fui a Buenos Aires me planejei com um determinado orçamento e dividi esse orçamento em varias partes: uma parte para coisas que eu listei para comprar lá por causa do preço e da qualidade, outra parte para passeios e atrações e outras para os gastos com transporte e alimentação. Essa última parte eu dividi pelos 8 dias que ficaria lá, evitando ultrapassar o limite diário que eu mesma estabeleci. Se não me engano foram R$100,00 por dia para comer, pegar metrô e comprar o que me interessasse. Como eu estava sozinha, andei bastante e economizei com transporte. Também como pouco (mesmo comendo besteira entre as refeições) e por isso, gastei por volta de R$80,00 por dia, ficando sempre uma sobra de cerca de R$20,00. No último dia, eu tinha o valor de uns 3 dias e mais a reserva que deixei para objetos mais caros como bolsa de couro, potes de doce de leite e vinhos. Esses últimos itens eu fiz questão de comprar porque são coisas que valem muito a pena comprar lá por causa do preço e da qualidade.
            Geralmente pago pelas passagens aéreas e pela hospedagem antes de viajar. Assim, viajo sem dívidas e com dinheiro ou cartão internacional para usar com o que precisar: transporte, alimentação e as bugigangas que a gente não resiste e sempre compra para a gente, para família e para os amigos.
            Se você viaja para um lugar que é considerado um dos melhores ou o melhor em fazer algo, como o doce de leite argentino, por exemplo, você não pode deixar de experimentar, a não ser que não goste, é claro. Não se deve fazer nada que não se goste só porque é tradição ou porque todo mundo faz. Eu, por exemplo, não visitei o estádio do Boca Juniors, apesar de ter passado pela porta, porque não gosto de futebol. Para mim não faria o menor sentido. Por isso, quando viajar, faça o que quiser e vá aos lugares que você quer ir conhecer e não onde todos dizem para você ir. A viajem é sua e você é quem sabe dos seus gostos e desejos. A não ser que a indicação seja de alguém que lhe conhece bem e sabe que você vai gostar do lugar ou atração.
            Outra coisa importante é saber o horário das atrações e os preços para evitar surpresas e perda de tempo.
            Conheça também os costumes locais para evitar constrangimentos. Em Santiago, no Chile, por exemplo, não é permitido consumir bebida alcoólica em público. Por isso, para evitar olhares estranhos ou repreensão da polícia local, melhor não sair com latinha de cerveja na mão.




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