Um
bem material, por outro lado, vai proporcionar prazer no momento da aquisição
e, talvez, nos primeiros dias de uso. Depois, deixa de ser novidade e passa a
ser só mais uma coisa que você possui.
As
pessoas que eu conheço que dizem não gostar de viajar (e são bem poucas)
viajaram muito pouco na vida ou nunca viajaram.
Quando
viajamos, conhecemos outras formas de se viver, outros espaços interessantes,
outros sabores, outras paisagens e outras formas de ver o mundo. Algumas paisagens
são de tirar o fôlego, outras, nos fazem refletir sobre a nossa condição
humana.
Há
viagens que nos transformam por completo. Outras que nos proporcionam tanto
prazer que queremos viajar cada vez mais. Por isso, mais e mais pessoas estão
viajando e descobrindo a maravilha que é viajar.
Mas,
como viajar tendo uma renda baixa ou mediana? É possível ganhar pouco e viajar
para fora do país?
Sim.
Tudo é possível quando possuímos aquelas duas palavrinhas que já usei bastante
por aqui e que me norteiam a vida: planejamento e determinação.
Primeiramente,
devo dizer que o Brasil é um país enorme e maravilhoso. Tem paisagens,
gastronomia e eventos para todos os gostos e bolsos. Nós temos de tudo um
pouco: cerrado, pantanal, praias, montanhas, florestas, cânions...
Temos
frio e calor. Frutas de tantos tipos, uma culinária riquíssima e culturas que
são tão diferentes que causam dificuldade no entendimento quando um morador do
norte vai passear ao sul. Do tacacá do Pará ao vatapá da Bahia, temos sabores
de deixar qualquer estrangeiro com água na boca. Por isso, antes de planejar
sair do Brasil, já conhece os estados brasileiros e o que eles têm a lhe
oferecer?
Se
sim, ótimo! Maravilha!
Mas,
se a resposta for não, que tal pegar aquele mapa maravilhoso e escolher um
lugar para explorar? Tenho certeza que você vai se surpreender com os
resultados.
Agora,
se você já conhece o Brasil o suficiente ou quer mesmo é colocar o pezinho para
fora do território verde e amarelo, mas tem pouca grana, pode ser uma boa ideia
visitar os países vizinhos.
Uruguai,
por exemplo, é um país organizado, bonito e cheio de delícias como: doce de
leite, carnes e queijos. Além disso, sua capital, Montevidéu, é lindíssima e
cheia de atrações.
A
Argentina é outro país que merece uma visita, principalmente se você quiser se
sentir na Europa. Nesse caso, Buenos Aires é o destino certo para você. A
cidade é linda, barata para nós brasileiros e super acessível. É possível
combinar passeios a pé e de metrô cobrindo boa parte da cidade e experimentando
as delícias típicas da região.
O
Chile e o Peru também estão perto e têm maravilhas como o deserto do Atacama
(Chile) ou as ruínas de Machu Pichu (Perú) para serem exploradas. Com
planejamento, é possível conhecer mais de um desses países nos chamados
“mochilões”.
Uma
viagem internacional precisa de muitos dias, uma vez que se perde muito tempo
com deslocamentos. Por isso, é melhor que você faça essa viagem nas suas
férias. Se possível, planeje suas férias para meses que não são considerados
como alta estação. Fuja de janeiro e julho, pois são meses de muita procura por
causa das férias escolares e universitárias. Viajar para fora do país com
poucos dias não vale a pena porque fica tudo muito corrido e você sempre acaba
deixando de ver alguma coisa e tendo que retornar em outra ocasião. O ideal é
que conheça tudo o que quer conhecer e gaste com as próximas férias em outro
país. Assim você conhece muito mais lugares.
Faça
um “fundo de férias”. Uma grana que você vai guardar somente para suas férias.
Se você só tira férias uma vez por ano, vai ter um ano para guardar a grana.
Compre
as passagens aéreas em épocas de promoção e com antecedência. Se cadastre em
sites de alerta que lhe avisam sobre o preço das passagens para o lugar que
deseja visitar.
Pesquise
sobre o local que deseja visitar antes de ir e escreva no papel os pontos que
quer visitar. Depois, faça um roteiro dia-a-dia com os locais que escolheu.
Exemplo: quando visitei Curitiba coloquei no papel a Ópera de Arame, o Museu
Oscar Niemayer, o Parque Tanguá, o Jardim Botânico, etc. Depois entrei no
Google mapas e pesquisei a localização de cada atração. Sabendo a localização
de todos, pude traçar um roteiro eficiente que me permitiu visitar o maior
número de atrações gastando menos tempo e dinheiro. Se existiam várias atrações
no Centro, eu dedicava um dia só para ir ao Centro e andava a maior parte do
tempo a pé.
Se
a cidade tiver metrô, como Buenos Aires e Santiago, por exemplo, aprenda a
andar nesses transportes. Em Buenos Aires algumas estações de metrô são
decoradas por artistas e são lindíssimas.
Andar
de metrô em outro país é mais fácil do que parece e custa muito menos. Assim
sobra dinheiro para comprar coisas que lhe interessam ou para provar um prato
diferente. Além disso, quem anda a pé conhece muito mais coisas e descobre
lugares que poucos turistas conhecem porque só andam de carro.
Outra
coisa que faço sempre e recomendo é: leve dinheiro a mais e deixe sobrar.
Quando fui a Buenos Aires me planejei com um determinado orçamento e dividi
esse orçamento em varias partes: uma parte para coisas que eu listei para
comprar lá por causa do preço e da qualidade, outra parte para passeios e
atrações e outras para os gastos com transporte e alimentação. Essa última
parte eu dividi pelos 8 dias que ficaria lá, evitando ultrapassar o limite
diário que eu mesma estabeleci. Se não me engano foram R$100,00 por dia para
comer, pegar metrô e comprar o que me interessasse. Como eu estava sozinha,
andei bastante e economizei com transporte. Também como pouco (mesmo comendo
besteira entre as refeições) e por isso, gastei por volta de R$80,00 por dia,
ficando sempre uma sobra de cerca de R$20,00. No último dia, eu tinha o valor
de uns 3 dias e mais a reserva que deixei para objetos mais caros como bolsa de
couro, potes de doce de leite e vinhos. Esses últimos itens eu fiz questão de
comprar porque são coisas que valem muito a pena comprar lá por causa do preço
e da qualidade.
Geralmente
pago pelas passagens aéreas e pela hospedagem antes de viajar. Assim, viajo sem
dívidas e com dinheiro ou cartão internacional para usar com o que precisar: transporte,
alimentação e as bugigangas que a gente não resiste e sempre compra para a
gente, para família e para os amigos.
Se
você viaja para um lugar que é considerado um dos melhores ou o melhor em fazer
algo, como o doce de leite argentino, por exemplo, você não pode deixar de
experimentar, a não ser que não goste, é claro. Não se deve fazer nada que não
se goste só porque é tradição ou porque todo mundo faz. Eu, por exemplo, não
visitei o estádio do Boca Juniors, apesar de ter passado pela porta, porque não
gosto de futebol. Para mim não faria o menor sentido. Por isso, quando viajar,
faça o que quiser e vá aos lugares que você quer ir conhecer e não onde todos
dizem para você ir. A viajem é sua e você é quem sabe dos seus gostos e
desejos. A não ser que a indicação seja de alguém que lhe conhece bem e sabe
que você vai gostar do lugar ou atração.
Outra
coisa importante é saber o horário das atrações e os preços para evitar
surpresas e perda de tempo.
Conheça
também os costumes locais para evitar constrangimentos. Em Santiago, no Chile,
por exemplo, não é permitido consumir bebida alcoólica em público. Por isso,
para evitar olhares estranhos ou repreensão da polícia local, melhor não sair
com latinha de cerveja na mão.































